Mesa 'Do abjeto ao belo na nova ficção' abre Bienal do Rio.
Evento acontece no Riocentro até o próximo dia 20.
Sant'Anna, autor dos romances "Amor" e "Sexo", diz que a relação do seu trabalho com o abjeto é uma reação. "É uma coisa meio punk, de devolver ao mundo o nojo que ele me causa".
Mutarelli, autor de "Natimorto" e "O cheiro do ralo", se diz mais próximo do tema. "Prefiro pensar não que estou devolvendo - mas estou. Acho que tenho uma atração pelo abjeto, dediquei parte da minha existência voltando atenção ao abjeto, tentando entendê-lo."
Maia também acha que essa relação é mais natural em seu trabalho. "O abjeto compõe o real, e flui naturalmente no meu texto". Ela destaca as reações dos leitores a livros como seu "Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos", que conta a história do abatedor de porcos Edgar Wilson.
"Tem gente que ficou chocada, diz que ficou sem comer carne. Já a minha mãe ria, entendendia como humor negro". Maia ainda mostra que o belo aparece apesar do cotidiano estranho dos personagens do seu livro. "A amizade, lealdade, companheirismo daqueles homens. O belo está aí, em outra camada do livro".
'Desencaretando' Sandy
Sant'Anna afirma, porém, que sua literatura não procura simplesmente chocar. "Um dos meus contos é uma carta da Sandy para os pais, ela estava saindo de casa. Ainda era virgem na época, e meu texto mostrava ela 'desencaretando', deixando de ser virgem, experimentando maconha. É algo legal, acho que é algo que ela iria querer - os pais, o empresário não gostariam, mas ela gostaria".
Vindo dos quadrinhos, Mutarelli diz que o humor brasileiro preocupa-se em "rir do outro". "É importante rir de si mesmo. E não dá para não rir".
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